segunda-feira, 4 de maio de 2015

No deserto


   "No deserto que atravessei, ninguém me viu passar. Estranha e só, nem pude ver que o céu é maior, olhei pra mim..." _ Catedral - Zélia Duncan
   Era exatamente assim, me sentia sozinha, vazia, rodeada por pessoas destrutivas, estava em depressão, me sentia feia e sem valor, só meu filho importava, eu vivia pra ele, mas nem com ele meu sorriso era verdadeiro, sempre tinha vontade de chorar.
   Houve uma época em que ainda atendia ligação de pessoas da igreja, ainda pedia orações, mandava mensagens de boas vibrações pra todos, todos os dias, tentava ensinar ao meu filho sobre os personagens bíblicos e etc.
   Mas a cada dia as más amizades iam corrompendo os meu frágeis bons costumes adquiridos recentemente,  até eu grudar com alguém que tinha tudo que eu gostaria de ter, mas não merecia, mesmo assim eu achava que tudo o que ela dizia ou fazia era maneiro, comecei a imitá-la e obedecê-la, era divertido estar com ela, ríamos por horas das burradas que fazíamos, ríamos das outras pessoas, tirávamos vantagens de tudo e todos, não tinha limites o que fazíamos para usar alguém, até chegamos a ir em centros de macumba, eu sentia que era errado, mas estava envolvida demais.
   O limite se deu quando comecei a me interessar de verdade por um dos caras que ela usava, ele parecia legal, ele parecia não merecer, ela se chateou quando eu parei de andar com ela e comecei a me envolver demais e de verdade com ele, ela surtou, me ameaçou e vi que precisava sair dessa loucura toda em que estava metida.
   Uma série de coisas aconteceram e vi que o tal cara também não era legal, perdi o emprego que estava por causa dele, me senti ainda mais sozinha, ainda mais vazia, pensava em como eu queria meu marido de volta, em como tudo aconteceu tão rápido e eu deixei acontecer. Precisava levantar!

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